O Taylorcraft 15A Tourist do Vintage Hangar foi originalmente produzido em 1953, na fábrica montada por Ben Mauro em Conway, Pennsylvania, sendo portanto um dos “menos de 30” construídos. Com a matrícula civil norte-americana N6653N, segundo consta em pesquisa inicial do próprio Vintage Hangar, o seu primeiro proprietário (de que se tem conhecimento) foi uma escola de pilotagem no Texas, onde entretanto não foi utilizado para a instrução de alunos, mas para voos turísticos e de passeio. Em seguida, o próximo registro que se tem é de que durante a segunda metade da década de 50 e boa parte da década seguinte, o aparelho passou a ser utilizado por uma congregação religiosa, sendo levado para o Alaska, atuando sobretudo no transporte de gêneros e suprimentos para localidades e missões em áreas remotas, de difícil acesso terrestre. Entretanto, devido à dificuldade e escassez de peças e componentes, a aeronave acabou tendo suas operações de voo paralisadas, e foi literalmente abandonada numa área remota, em meio ao mato, no Aeroporto Internacional de Fairbanks, até deixar o Alaska, de caminhão, na década de 70, com uma promessa (que nunca se realizaria) de ser restaurada e recolocada em condições de voo.
Mas, se a recuperação prometida não aconteceu, em dado momento de sua história, o N6653N foi encontrado por dois amigos, ambos pilotos, que o adquiriram com o plano de o restaurar e vender, e deste modo financiar a recuperação de um North American T-6 Texan. E desta vez, ao menos, foi isto que aconteceu. E o Tourist foi adquirido por um novo piloto-proprietário, cujo nome só se sabe como “Roe”, e que o levou para Culpeper, na Virginia. E nesta “colcha de retalhos” que se conseguiu, com muito mérito da equipe do Vintage Hangar, de se descobrir do passado dessa aeronave, o histórico seguinte é de 1998, quando o aparelho pertencia já a Robert Peterson, de Mahaffey, Pennsylvania.
Entretanto, com certeza, nestas alturas, o N6653N estava em péssimas condições.
E foi assim que ele foi adquirido e importado para o Brasil por Ricardo Luís Cerioni, de Piracicaba (SP), que teve de submeter o aparelho a um trabalho de reconstrução foi tão intenso e abrangente que não havia como registrar a aeronave pelo fabricante original, a Taylorcraft, sendo então necessário que fosse totalmente recertificado, daí o seu registro no RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro) ser apenas à partir dessa reconstrução, e por este mesmo motivo, o aparelho constar como sendo de fabricação do próprio Ricardo Luís Cerioni, com número de fabricação “001”, e do modelo “Turista”. Então, com o trabalho finalizado e o avião recertificado, o aparelho recebeu a matrícula civil brasileira, PP-XCV, em 15 de outubro de 1999. Deve constar, porém, que apesar de adquirido e registrado com as autoridades com Cerioni como “fabricante”, o trabalho de reconstrução não foi feito por este, que contratou para este o experiente Ulisses Bergreen, que foi quem efetivamente trabalhou a aeronave.
Cerca de cinco anos depois, em 15 de setembro de 2004, o aparelho foi então vendido ao Instituto Arruda Botelho (IAB), como constou no RAB em 25 de novembro do mesmo ano. E aqui vale lembrar que era o empresário e piloto Fernando de Arruda Botelho a liderança à frente da organização cultural privada do IAB, com a paixão pela aviação e sua história que o motivava.
Tragicamente, porém, Fernando Botelho iria perder a vida não muito tempo depois, em 13 de abril de 2014, num acidente aéreo com um avião histórico que havia adquirido não muito tempo antes, um North American T-28 Trojan, um derivado do famoso T-6 desenvolvido pela mesma fabricante para instrução básica de pilotos navais, incluindo pousos em porta-aviões. O acidente ocorreu nas proximidades do aeródromo do Broa, em Itirapina (SP), também perdendo a vida o piloto profissional Sérgio Luiz Robattino, que acompanhava Botelho no T-28. Após esta tragédia, o IAB foi renomeado como Instituto Fernando de Arruda Botelho (IFAB).
E foi, portanto, o IFAB, após a morte de seu mentor e maior liderança, que então vendeu o PP-XCV, em 11 de fevereiro de 2016 (e registrada no RAB no dia 17 do mesmo mês) para a AB Administração de Bens Negócios e Participações Ltda, de Joinville (SC), passando então a integrar o acervo do Vintage Hangar. Antes da entrega, entretanto, por solicitação do novo proprietário, a aeronave passou por uma revitalização geral, como um overhaul completo, feito por Pedro Mello, na oficina aeronáutica deste em São Miguel Arcanjo (SP).








