O exemplar do acervo é da versão Wilga 35, possuindo um motor Ivchenko AI-14RA, de 260hp, construído em 1973, com C/n 62175. Para se entender como chegou ao Vintage Hangar, é necessário conhecer uma pequena aventura de dois brasileiros com essas aves polonesas.
Bem depois da fracassada tentativa de colaboração entre a Embraer e a PZL, em 2010, o piloto e engenheiro brasileiro Rui Gustavo Baddini Gabriotti, sócio do multicampeão de acrobacia aérea e piloto comercial Luiz Guilherme Richieri na empresa Hangar B Aviação Ltda, em Sorocaba (SP), decidiu se tornar o proprietário de um Wilga, entrando em contato com o representante alemão da aeronave, em Berlim, e Gabriotti e um amigo (também de Sorocaba) acabaram adquirindo juntos duas aeronaves, que depois de montados e voados por certo tempo, foram vendidos para dois interessados de Belo Horizonte (MG), e mais tarde, revendidos e exportados, voltando para a Europa. Aí, entusiasmado, Gabriotti voltou à Alemanha e adquiriu outros dois Wilga, porém, enquanto transitava o processo de venda e exportação para o Brasil das aeronaves, o representante alemão perdeu a vida num acidente aéreo. Houve então um momento de quase se perder toda a negociação e os valores já investidos, por pura dificuldade de simplesmente se comunicar com quem havia assumido a representação alemã, mas isso acabou sendo superado, e em 2014, os dois Wilga enfim chegaram ao Brasil.
Mas, apenas alguns meses depois da chegada destes, a empresa alemã entrou em contato com Gabriotti.
Ocorria que o contato deste com os alemães havia sido extremamente positivo, com o brasileiro demonstrando inclusive muita compreensão e sensibilidade diante das dificuldades (inclusive, as já citadas, de contato) advindas após a morte do principal responsável. E agora, de modo muito transparente, estavam conversando porque a empresa estava em processo falimentar, ia ser fechada, e gostariam de saber se Gabriotti não gostaria de adquirir, por um custo extremamente atraente, tudo o que restava em depósito – outros três Wilga, tudo o que havia em estoque de peças para estes (três contêineres cheios!), e ainda uma outra aeronave, um PZL-101 Gawron (versão licenciada polonesa do soviético Yakovlev Yak-12, um STOL de asa alta cuja produção na Polônia foi feita nos anos 60). Como a Hangar B já tinha experiência em trabalhar, incluindo manutenção e reparos, com aeronaves do Leste Europeu, até por causa dos monoplanos Sukhoi de acrobacia aérea, Richieri aceitou se tornar sócio nessa nova empreitada de Gabriotti, e fecharam o acordo, mas os dois criando juntos uma segunda empresa, a Allplanes Aviação Ltda, também sediada em Sorocaba, que ficaria como a responsável por toda a importação, nacionalização e posterior venda das aeronaves. Com cinco Wilga importados, a ideia era ir montados estes aos poucos, e vendendo, uma vez montados, com o último ficando de propriedade dos dois.
Assim, o PP-ZYW foi o primeiro destes Wilga a ficar pronto, estando voando em 2020, e foi colocado à venda. Neste interim, porém, por motivos profissionais, Gabriotti teve de se mudar para a Alemanha, de modo que no momento em que este texto é escrito (novembro de 2024), o trabalho nas outras aeronaves está parado, em “pausa”, nas palavras de Richieri, até que os dois sócios decidam o rumo futuro do projeto com os demais quatro Wilga e com o Gawron.
E foi assim, então, que com o registro de compra/transferência constando como 20 de setembro de 2023 no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o Wilga 35 de matrícula PP-ZYW foi para o acervo do Vintage Hangar, através da compra da aeronave pela AB Administração de Bens Negócios e Participações Ltda, de Joinville (SC).


















