O exemplar do acervo é o Embraer EMB-712 Tupi, matrícula nacional civil PT-RUV, de C/n 712107, construído em Botucatu (SP) pela Indústria Aeronáutica Neiva S/A (subsidiária da Embraer), em 1984, sendo portanto um dos últimos exemplares do modelo produzidos no Brasil. Estranhamente, não constam registros no RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro) dos primeiros 12 anos dessa aeronave, mas sabemos que no início de 1996, a mesma pertencia à Horizonte Táxi Aéreo Ltda, que a vendeu em 3 de janeiro daquele ano (com a data da transferência de propriedade registrada no RAB em 23 de fevereiro) para a Bechara Imóveis e Administração Ltda., de Santos (SP). Quase exatos três anos depois, em 8 de fevereiro de 1999, houve novo registro de transferência de propriedade, desta vez para Jacks Grinberg Junior, de Mogi das Cruzes (SP), embora a venda tenha de fato sido feita bem antes, em 19 de setembro de 1997 (ou seja, pouco mais de um ano e meio depois da aeronave ter sido adquirida pela empresa de Santos).
É interessante observar que existem diversas lacunas no RAB referentes a todo este período.
Por exemplo, não constam quaisquer dados da Horizonte Táxi Aéreo Ltda (exceto o CNPJ), assim como não consta, ao ser adquirido por Grinberg Junior, para qual aeródromo de registro foi transferido o PT-RUV.
Curiosamente, o RAB registra que, antes mesmo de ter sido oficializada a transferência de propriedade para Grinberg Junior, na data de 22 de setembro de 1997 (ou seja, três dias depois da compra), o proprietário, residente em Mogi das Cruzes (SP), fechou um contrato de arrendamento da aeronave para o Aeroclube de Biritiba-Mirim (SP), com este contrato valendo até 25 de fevereiro de 2000, quando foi rescindido.
Então, em 22 de agosto de 2001, o PT-RUV foi vendido por Grinberg Junior para Airton Ginez Dantas, de Arujá (SP), com transferência de propriedade registrada no RAB no dia 28 do mesmo mês. E no ano seguinte, Dantas fechou um contrato de comodato com o Aeroclube de Guaratinguetá (SP), para uso por este do PT-RUV em instrução, assinado em 8 de abril de 2002 e registrado no RAB no dia 18 do mesmo mês. Este arrendamento por comodato, porém, foi cancelado meses depois, em 7 de outubro de 2002 (conforme registro no RAB, em 11 de novembro daquele ano). E no mesmo dia do cancelamento com o Aeroclube de Guaratinguetá (SP), Dantas arrendou a aeronave, através de contrato assinado no mesmo dia 7 de outubro de 2002, para a Unifly Escola de Pilotagem Ltda, com sede Aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo (SP), conforme registrado no RAB em 11 de novembro do mesmo ano. Cabe aqui esclarecer, porém, que o próprio Dantas é um dos sócios-proprietários da própria Unifly. E este arrendamento para a escola de pilotagem viria a ser cancelado em 27 de janeiro de 2004, conforme registro no RAB de 17 de fevereiro do mesmo ano, por motivo de Dantas ter vendido a aeronave, em 3 de fevereiro de 2004, para Walter Rabe, de São Paulo (SP), o que foi registrado no RAB no dia 17 do mesmo mês.
Pouco depois, em 26 de janeiro de 2006, Rabe vendeu o Tupi para Alexandre Baumgart, de São Paulo (SP), o que foi registrado no RAB em 2 de fevereiro do mesmo ano. E Baumgart ficou com a aeronave por um bom tempo, mais de uma década, mantendo-a no Condomínio Aeronáutico Vale Eldorado, em Bragança Paulista (SP), só vendendo o PT-RUV em 7 de junho de 2019, para Alex André Silva, de Atibaia (SP), com essa transferência de propriedade sendo oficializada no RAB em 2 de setembro do mesmo ano.
Por fim, pouco mais de um ano depois, Alex André Silva fez a venda do Embraer EMB-712 Tupi, matrícula nacional civil PT-RUV, de C/n 712107, construído em Botucatu (SP) pela Indústria Aeronáutica Neiva S/A (subsidiária da Embraer), em 1984, ao Dr. Alberto Bornschein, o que foi registrado no RAB em 16 de novembro de 2020, e assim a aeronave passou a fazer parte do acervo do Vintage Hangar.
Tendo sido um dos últimos Tupi fabricados, entregue em 1984, até onde consta, o aparelho nunca esteve envolvido em qualquer incidente ou acidente, mas foi operado de setembro de 1997 até janeiro de 2004, de modo intenso, como aeronave de ensino, para a formação de pilotos, nos Aeroclubes de Biritiba-Mirim e de Guaratinguetá e na Unifly Escola de Pilotagem (Campo de Marte, São Paulo), o que com certeza traduz uma operação bastante dura da aeronave neste período de mais de cinco anos.









